terça-feira, 4 de outubro de 2016

Quando você não é nada


imersão reflexiva que nada soma mais que se abster de tudo
soma mais que se apoderar a querer ser tudo
 não quero nada, nada mais que me faça me adaptar ao tudo de alguém
nada que faça precisar de um abrigo além dos meus nadas
porque é nele que me encaixo, me encontro,  me envolvo comigo, me enxergo
 nada me completa, da brecha a me envolver com tudo, sem precisar me desiludir do extremo
ser nada, nada mais é que ser tudo
ser nada me risca da fila dos amedrontados, dos endividados com o próprio ser
ser nada é liberdade de respirar cada segundo em tudo
ser nada não deixa nada passar vazio.

domingo, 27 de setembro de 2015

Despistando a intuição


Quando me dei conta  , percebi que estávamos abusando da improdutividade amorosa,  onde só se ama, e só. Só se amava , só queria amor . . ninguém entendia, e isso angustiava, reprimia o cuidado e  velava aquela casa, aquele sono, aquela vida. Abusamos do álcool, cigarros, amigos e redes sociais. Abusamos em manter quem por via do pouco entendimento nos julgava e condenava, e deixamos. Um dia ouvi que "a vida empurra",  mas a verdade é que  a gente empurra ela para algum lugar , a coitada da vida só vai, sem culpa e com medo, por que  o abismo é logo ali, o abismo sempre está logo ali ,sim,alí. Não tinha força ,  nós abusamos em desperdiçar a indiferença .Até que sobrou uma gota, um suspiro, e após um longo dia que parecia não ter fim, fechamos o ciclo. Abrimos outro, com cicatrizes e uma água um pouco suja que a gente  anda bebendo, mas é o que   anda nos imunizando de um próximo abuso. Por fim, nós abusamos do desgaste, da infidelidade energética , abusamos dos nossos traumas ,abusamos em achar que alguém pode fazer algo por nós, abusamos da vida que agora a pouco saiu do CTI e quer percorrer a ponte por cima desse abismo existente que sempre viverá, para nos manter cientes que ninguém nos salva quando abusamos de nós mesmo, ninguém abusa da gente quando escolhemos não sermos abusados.

 Sejamos responsáveis por nossos abusos !




quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sobre você em mim

tenho esperado
mas tenho visto impossível
 diante da minha vida correndo mansa
 diante dos atos serem excentrificados uma hora só
 E tenho dito, assim sempre foi e será

tenho te notado pouco agasalhado com feridas tao exposta que me da medo de abraçar
 parece morte em coma
parece mudo pelo  caminhar

tenho te escutado gritar em sonhos
mas não espere que parei para escutar
eram noites muito frias prefiro acordar para de mim cuidar, talvez um chá

tenho ficado muito de pé talvez para te esperar voltando
mas espero caminhando
você quando perto me faz sumir por enquanto

tenho sonhado em horas vagas que remete ao vicio
me mantendo a risca do sopro de um coração
tenho me mordido fervorosa para de mim tirar o que me sonda
sem ter q opinar para me jogar em delírio da sua solidão

Presentes

Hoje eu trouxe um novo presente pra você
Não é verso , musica nem poesia
É "um algo" , que fala de você com sabedoria
Que gargalha e chora minha vida ao me tocar

Ele sobe nas ladeiras das ruínas
Nem tropeça, nem vicia
Nem nas mortes, nem pecados, nem nos perdões
Em nada disso ele pretende tocar

Falei de você p ele de coração entreaberto
Que você hoje me é incerto
Que sem te ver ,não sei se você em mim existe
Era só paixão, ou não

Ele pediu p eu vir aqui
Com mil jasmins te presentear
Mas você está com seu antigo odor de solidão
Não tenho olfato que aguenta isso não

Hoje o dia está lindo, e eu mais um dia não saí para te ver
 A fama desse futuro é tao incerto
Acho que nem o passado ele saberia manter

Vou colocar ele no trem das minhas viagens insanas
Sem nenhuma migalha de pão
Pois viver sem se perder ,é viver em vão
E sentar pra te querer , é cuspir para o alto sem olhar p chão

Que desfeita minha , recolhi o presente!
Mas quanta bobagem , era a mim que só servia
A quem eu engano? Só vim aqui dar pra dar bom dia
E volto com os antigos presentes
Prosa ,Verso e Poesia

Abrigo





eu me desejo crua
em casa semi nua
para nunca mais em ninguém estar
para não perder o amor que sei me dar
para não naufragar a vida de um pequeno lar

de amor não me tenho
de esperança não percebo
quanto a vida me encara
de frente sem motes nem lotes a me abrigar


e de morrer vou me vendo,cansada de tanto tormento
fingindo tanta alegria, vivendo em crua nostalgia
eu posso, ainda me quero
fortaleço meu ego, mentindo paixão
sofrendo o perigo de viver em razão
 viver sem saber o esgrime que me apunhala
.

sábado, 30 de agosto de 2014

Invadindo






Já era tempo de  voltar a ser oque eu era , a minha selvageria   , a mim.Dos bares medíocres das pessoas incertas que não precisavam beber muito para expor oque eram de verdade. Não tem cena , nem mentiras enfeitadas num palácio... Todo mundo ali se ergue se afunda na própria ferida , chora de verdade . Muita culpa e arrependimento. E eu, ainda caminhando entre eles vou vagando dentro de mim ,  verificando quão intensa será essa caminhada , o tempo que usei p chegar aqui , crua . Sem responsáveis , só inocentes, de um acaso merecido que não se escolhe o que sente , só se sente . No fundo da ferida sente-se muito , na fuga  não sente-se nada ,motivo imposto para não fugir dos planos de uma vida . E assim que vai ser , sempre vai ser , generalizando amores para não perder a pose . Fazendo do acaso o pior inimigo  ,não somando nada . Morrer-se para viver-se .

sábado, 23 de agosto de 2014

Estou cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

-Álvaro de Campos